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A concorrência não é um tubarão



Frequentemente associamos a competição entre empresas como algo pejorativo, contudo, é válido evidenciar alguns fatores e cases interessantes onde a concorrência foi a propulsora na busca por melhores resultados.

No ano de 1903, Henry Ford e um seleto grupo de investidores fundaram a Ford Motors Company, em Detroit. Inicialmente produzindo apenas um modelo de veículo, o Ford Model T, o inventor e primeiro empresário a aplicar a montagem em série de automóveis revolucionou a indústria de transportes dos Estados Unidos. 

Apesar de ter sido um veículo prático, barato e de fácil manutenção, havia um problema mercadológico no Model T: a baixa diferenciação - justamente por conta de sua produção seriada. Entre os anos de 1914 e 1926, o automóvel foi pintado apenas na cor preta, visando a redução de custos e a consequente massificação do produto. Parafraseando o próprio Ford em sua autobiografia, "o carro é disponível em qualquer cor, contanto que seja preto". 

A partir desta visão, outras montadoras começaram a agregar valor ao seu produto apostando na diferenciação com base na pintura do veículo. Nesta época, modelos como o Peugeot Quadrilette, Duesenberg Model A e Tatra 10 seguiam este conceito, tanto que são raros os exemplos destes veículos pintados na cor preta.

Além da diferenciação por customização, a concorrência inicial neste segmento fez com que novas tecnologias fossem embarcadas nos veículos, garantindo rápidas melhorias em fatores de segurança e conforto. 

No ambiente corporativo, a competição é ocasionalmente vista como algo para não ser encarada, contrariando muitos cases de empresas onde a concorrência também foi um fator relevante de desenvolvimento - assim como o setor automobilístico.

A Administração moderna americana classifica a concorrência empresarial em três fatores de análise, onde a hierarquia, os recursos e as estratégias são índices favoráveis de crescimento dos negócios. O market share, o preço das ações e o valor adicionado são aspectos influentes na competição e que determinam o potencial de equilíbrio organizacional. 

Neste sentido, a competitividade se baseia na capacidade da empresa em formular e implementar estratégias concorrenciais, a fim de manter uma posição sustentável no mercado por um período de tempo maior. Esta pode ser analisada como uma forma de organizar o mercado na formação do preço de venda e em ordenar a oferta e demanda de produtos ou serviços. 

A competição entre empresas ressalta que há pessoas querendo comprar o seu produto. Caso a competição não existisse, os gestores não se preocupariam em propor alternativas para diversos problemas da sociedade, bem como trabalhar de forma diferenciada com sua equipe. 

Essa analogia também funciona do outro lado do balcão. Invariavelmente, todos somos consumidores e, compondo este grupo, apreciamos em demasia a oferta de produtos ou serviços diferenciados. Você já notou a expressão de felicidade das pessoas quando descobrem a abertura de um novo restaurante no bairro em que frequentam? 

Por mais que existam centenas de restaurantes nas proximidades, a novidade nos instiga à descoberta, e proporciona de certa forma, a felicidade. Deste mesmo modo, o novo empreendimento acirra o mercado o qual a empresa estará se inserindo, incitando com que os demais estabelecimentos intensifiquem suas estratégias e busquem aprimorar a qualidade dos alimentos, a segurança do local, o estacionamento, a qualidade no atendimento, entre outros fatores - caso já não estejam fazendo. A partir de toda essa enorme movimentação, não apenas o consumidor será beneficiado com essa nova opção de alimentação, mas sim, todos os stakeholders do restaurante - e a economia como um todo. 

A dimensão que os negócios vêm tomando nos últimos anos, principalmente atrelado às variáveis tecnológicas, fez com que alguns mercados que antes estavam consolidados, sofressem uma mudança drástica. São inúmeras as startups revolucionárias que seguem inovando em mercados já existentes, como por exemplo, a Uber, Nubank e Airbnb. 

A mentalidade de que a concorrência seja algo desagradável e que se deva manter distância está em transição, uma vez que o benchmarking competitivo seja imprescindível no ambiente corporativo atual. Contudo, ainda assim, há empresas que temem por ações dos concorrentes, deixando muitas vezes de ofertar produtos ou serviços até mesmo superiores e com um potencial escalável estupendo por aversão ao risco.

Um case interessante aliado à esta questão é o da varejista gaúcha Renner. Após sucessivos percalços durante sua trajetória profissional e disputas ferrenhas com a concorrência, José Galló, agora então ex-presidente da companhia, cita que "quando você não tem um inimigo, crie um". A concorrência apresentou possibilidades inovadoras para a marca, onde a necessidade de readequar o modelo de negócios foi substancial para o crescimento da empresa. 

Consoante a isso, e levando em consideração de que a concorrência faz parte do processo de descoberta e inovação, o empresário deve buscar a todo instante as melhores condições para a rentabilidade de seu negócio. Com isso, pode-se verificar que a competição entre empresas é extremamente favorável para o mercado, para a sociedade e para todos os agentes que fazem parte dela. 

"É bom ter uma competição válida, isso te motiva para fazer melhor." Gianni Versace

Comentários

  1. Excelente postagem!

    A concorrência, depois do cliente, é a força motriz para qualquer negócio. Sem concorrência a empresa estagna, não gera mais valor para o produto e sociedade, não inova e corre risco de ser eliminada.

    Nos EUA, por exemplo, há muitas propagandas onde uma empresa rivaliza com a outra abertamente, mas tudo de forma sadia. Aqui no Brasil isso ainda é um tabu, infelizmente.

    Seja bem-vindo à Blogosfera, um abraço.

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    1. Colheita

      Esse é um ponto extremamente interessante. Acredito que isso ocorra em grande parte por conta das condições mais adversas do mercado brasileiro. A proporção de empresas fechando as portas no Brasil e nos EUA é praticamente a mesma, contudo, o número absoluto de empresas no Brasil é infinitamente menor.

      Obrigado pelas boas vindas.

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  2. E a concorrência está chegando ao mundo de investimentos. Mais players, menores taxas, mais benefícios aos clientes. Torço bastante para que este movimento se consolide.

    Sucesso.

    Abraço.

    Mente Investidora
    www.menteinvestidora.org

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    1. Mente Investidora

      Esperamos que cresça cada vez mais! Se por um lado é desafiador para os empresários, significa que estamos no caminho do crescimento.

      Um forte abraço.

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  3. Excelente post, a concorrência é extremamente importante e essencial pro comercio/empresas em si. Vamos torcer para que esse movimento aconteça.

    Abçs

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    1. Escola

      Obrigado por seu comentário. Adicionei o blog à blogroll.

      Abraços

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